quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

“16 Reasons to Kill Yourself,” by John Terhorst

provavelmente já ninguém vai ler isto porque o semestre terminou e este blog vai se tornar obsoleto, contudo, deixo aqui estas tiras porque adoro os espaços em branco, o vazio por preencher, o tal exercício de termos de usar um pouco de nós para completar a obra do artista, e para esta ganhar significado. acho que a arte só se faz a partir do momento em que é vista e neste caso, completada, posta à mercê do leitor...

bom natal :)



encontrei aqui: https://downtown-archaeologies.newyorkscapes.org/artifacts/red-tape.html 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

PUTA DE ESQUERDA

SAUDAÇÕES COLEGAS

Já acabaram as aulas de literaturas marginais este ano, mas literaturas marginais vivem em nois. Assim sendo, caso já não tenham visto, tenho mostrar o meu poema para a nova em folha. 



 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

detoured comics. as minhas últimas leituras subversivas

Apercebi-me que, durante as últimas apresentações, foram apresentadas várias obras de banda desenhada/literatura gráfica etc., contudo penso que não se tenha discutido (se o foi, peço desculpa mas eu faltei a imensas aulas) algumas das técnicas literárias que da banda desenhada partido tiraram para o desenvolvimento das suas próprias vanguardas artístico-literário-políticas. Com isto quero mencionar o détournement, que nasceu durante a década 50 do século passado e foi amplamente utilizado durante a vaga situacionista e os movimento da Internacional Situacionista e do "Letterist Internacional" ("a arte é revolucionária, ou não é nada“). Dentro deste tópico deixo, por isso, uma das últimas "detourned comics" que eu li "Buffy the anarco-syndicalist: Capitalism bites" (2004), que foi re-utilizar a banda desenhada "Buffy, the vampir-slayer", publicada entre 1998 e 2004, para subverter o seu conteúdo e incorporar nele um discurso anarquista bué funny :) 




Já agora, este website tem imenso material que toca em bastantes dos outros temas marginais (ou não) (dentro e fora do pendor literário) que falámos durante as nossas aulas. Até agora só tive tempo de descobrir superficialmente o arquivo deles com "radical, revolutionary and working class comics and graphic novels" que recomendo mesmo! Deixo aqui o link para consultarem!

Eles têm lá imensa coisa gira de se ler, inclusive textos, entrevistas, depoimentos.... deixo aqui alguns extras


The Dispossessed - Radio Play


Boas leituras! Depois digam o que acharam :)




quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Amor?

 A apresentação do poema nº 85 de Carme di Catullo Numero feita hoje em aula, trouxe-me à mente o soneto ilustre de Camões - 

Amor é fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente,

É dor que desatina sem doer.


É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É um cuidar que ganha em se perder.


É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.


Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade;

Se tão contrário a si é o mesmo Amor.


O pensamento de que o amor e o ódio são duas ideias opostas que não se complementam é contrariada nos dois poemas. A verdade é que as antíteses nos demonstram que um sentimento tão complexo e tão único como o amor é capaz de nos provocar um enorme prazer e uma abúlia profunda de uma forma simultânea. A natureza contraditória desta emoção faz com que seja difícil descrevê-la ou estabelecer um rótulo específico. O amor arde, mas não queima, dói mas não se sente. Pode ser triste e contente. Sinto que o amor, por vezes, pode ser elevado a uma patologia, há quem "morra de amores", há quem faça tudo por amor, no entanto por que razão fazemos tanto e nos deixamos mover por algo que não sabemos sequer descrever. Eu amo e sei que amo, é me suficiente, mas não deixa de me fazer sentir maluquinha esporadicamente. De uma forma mais elevada, ainda há quem odeie amar e há quem ame odiar. Que melhor complementariedade poderá existir?

O Amor pode ser tanto e tudo, pode ser sentido de todas as formas e maneiras possíveis, o que nos causa este obstáculo à compreensão. No fundo, acredito que o poema nº85, apesar de não nos dar respostas, é o que mais se aproxima de uma conceção do que é o amor, do que é amar.

Odeio e amo. Talvez queiras saber "como?"

Não sei. Só sei que sinto e crucifico-me. 




terça-feira, 5 de dezembro de 2023

NOVA em Folha

A última edição, deste semestre e ano, do NOVA em Folha já saiu! Deixo aqui o link da edição online para quem tenha curiosidade.

Ricardo II e a humanização das personagens

 No âmbito da apresentação de ontem sobre Hamilton: An American Musical e, especificamente, sobre a humanização das personagens, deixo aqui, provavelmente, uma das minhas partes favoritas de qualquer peça de Shakespeare. O último solilóquio de Ricardo II da peça Richard II de William Shakespeare, representado por David Tennant.

Aproveito também para deixar outras duas partes que também gosto bastante e que servem exatamente para humanizar Ricardo II pois este é o suposto vilão desta peça (apesar de eu não concordar completamente com isso). Aqui a cena “Let´s talk of graves” e aqui a cena “The deposition”.

Apesar de Ricardo II ser o vilão nesta peça, penso que este tem algumas das falas mais bonitas e dramáticas comparando com outras peças de Shakespeare que já li, e Ricardo II é, definitivamente, uma das minhas personagens favoritas dentro do universo das personagens deste célebre autor. Aconselho muito a leitura desta peça, pois não é só é interessantíssima, como também está carregada de simbolismos igualmente belos. 


O solilóquio em si para quem queira ler:

1


2

3

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Pierre Menard

 Aqui


(...) Disse que a obra visível de Menard é facilmente enumerável. Examinando com esmero seu arquivo particular, verifiquei que se constitui dos seguintes trabalhos: 

a) Um soneto simbolista que apareceu duas vezes (com variantes) na revista La Conque (números de março e outubro de 1899). 

b) Uma monografia sobre a possibilidade de construir um vocabulário poético de conceitos que não fossem sinônimos ou perífrases dos que formam a linguagem comum, "mas objetos ideais criados por uma convenção e essencialmente destinados às necessidades poéticas" (Nimes, 19O1). 

c) Uma monografia sobre "certas conexões ou afinidades" do pensamento de Descartes, de Leibniz e de John Wilkins (Nimes, 19O3). 

d) Uma monografia sobre a Characteristica Universalis de Leibniz (Nimes, 19O4). 

e) Um artigo técnico sobre a possibilidade de enriquecer o xadrez eliminando um dos peões de torre. Menard propõe, recomenda, polemiza e acaba por rejeitar essa inovação. 

f )Uma monografia sobre a Ars Magna Generalis de Ramón Llull (Nimes, 19O6). g) Uma tradução com prólogo e notas do Livro da Invenção Liberal e Arte do Jogo de Xadrez de Ruy López de Segura (Paris,1907.) 

h) Os rascunhos de uma monografia sobre a lógica simbólica de George Boole. 

i) Um exame das leis métricas essenciais da prosa francesa, ilustrado com exemplos de Saint-Simon (Revue des Langues Romanes, Montpellier, outubro de 19O9). 

j) Uma réplica a Luc Durtain (que negara a existência de tais leis) ilustrada com exemplos de Luc Durtain (Revue des Langues Romanes, Montpellier, dezembro de 19O9). 

k) Uma tradução manuscrita da Aguja de Navegar Cultos, de Quevedo, intitulada La Boussole des Précieux. 

l) Um prefácio ao catálogo da exposição de litografias de Carolus Hourcade (Nimes, 1914). 

m) A obra Les Problèmes d’un Problème (Paris, 1917) que discute em ordem cronológica as soluções do ilustre problema de Aquiles e a tartaruga. Duas edições desse livro apareceram até agora; a segunda traz como epígrafe o conselho de Leibniz "Ne craignez point, monsieur, la tortue", e renova os capítulos dedicados a Russell e a Descartes. 

n) Uma obstinada análise dos "usos sintáticos" de Toulet (N. R. F.., março de 1921). Menard – lembro-me – declarava que censurar e louvar são operações sentimentais que nada têm a ver com a crítica. 

o) Uma transposição em alexandrinos do Cimetière marin de Paul Valéry (N. R. F., Janeiro de 1928). 

p) Uma invectiva contra Paul Valéry, nas Folhas para a supressão da realidade de Jacques Reboul. (Esta invectiva, diga-se entre parêntesis, é o reverso exato da sua verdadeira opinião sobre Valéry. Este assim o entendeu e a amizade antiga entre os dois não correu perigo.) 

q) Uma definição" da condessa de Bagnoregio, no "vitorioso volume" – a locução é de outro colaborador, Gabriele d'Annunzio – que anualmente publica esta dama para retificar os inevitáveis falseamentos do jornalismo e apresentar ao mundo e à Itália" uma autêntica imagem da sua pessoa, tão exposta (pela própria razão da sua beleza e da sua atuação) a interpretações errôneas ou apressadas. 

r) Um ciclo de admiráveis sonetos para a baronesa de Bacourt (1934). 

s) Uma lista manuscrita de versos que devem sua eficácia à pontuação.

Ladies & Gentlemen, Mr. Leonard Cohen

  

Sabia que, antes de ser um escritor de canções (e popstar), Leonard Cohen já era um poeta famoso

Já agora, aqui está A Torre da Canção


sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Gavetas, textos, fluidez

 A propósito da relação entre gavetas e textos (a gaveta ajuda a pensar, mas pode impedir de pensar), numa entrevista a um podcast a fadista Ana Moura disse isto:



 

Na minha apresentação oral sobre poesia e cinema, na passada segunda-feira, coloquei a possibilidade de o corpo do poema não ser, necessariamente, a página. Aquilo que procurei fazer, na verdade, foi mostrar a minha “disponibilidade” (e apelar à vossa) para uma poesia que extravasa as convenções a que o cânone nos acostumara, exercício que, raramente, consentia fazer, antes das nossas aulas.

Se assumirem, como eu, a premissa de navegar contra a corrente, isto é, de buscar o desconforto, de prescindir da familiaridade e da linearidade do que conhecemos, as “Tapeçarias”, de Regina Guimarães, são um cais possível. A artista nascida no Porto, em 1957, também conhecida como Corbe, desafia-nos com dois textos poéticos, duas “heresias” muito bem-vindas a quem quer pensar a literatura, concebidas num tear, a meu ver, muito original.

Ambas as tapeçarias foram publicadas no quinto volume da revista interartes Skhema, em maio de 2023 [Tapeçarias - SKHEMA]. A obra de Regina Guimarães, produzida em comum com marido Saguenail, companheiro de arte e de vida (não serão a mesma coisa?), pode ser acompanhada em Hélastre, uma página online [helastre], que vos convido a descobrir.



Matilde Brazão

Mais alguns memes.

 No decorrer da apresentação da colega Laura, deixo aqui alguns memes interessantes que tinha guardados: 













Notas finais

 Meus caros, estas são as notas que têm no fim do semestre, feitasas várias contas. Aguardarei até quinta para as lançar definitivamente. Qu...