quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Um pedido de desculpas e um novo conto para segunda 2/10

 Meus caros, peço desculpa pela partida que vos preguei, mas não foi para vos chatear, apenas para lembrar que uma das dificuldades de muitos textos literários é a ausência de indicadores claros sobre como ler. 

Penso que agora, à luz do Tafas, talvez vos seja mais fácil ler este conto de Jorge Luis Borges. 


segunda-feira, 25 de setembro de 2023

sábado, 23 de setembro de 2023

Joni Mitchell, Sisotowbell Lane

Reler o texto “Comunidade” e o comentário que a Catarina publicou há dias fez-me pensar numa música da Joni Mitchell chamada Sisotowbell Lane, queria partilhá-la convosco. A música parece-me falar de uma comunidade em que as pessoas se juntam para poderem compreender que há coisas bonitas entre elas e à volta delas. A companhia e a partilha fazem do lugar uma casa, uma cama, uma jangada de onde se pode entender que o tamanho do mar, os seus perigos e a inevitabilidade da solidão podem ser tão fortes quanto a força grande que harmoniza as respirações*, mas nunca mais fortes.

* “Mas a minha força é grande. Respiro ao mesmo tempo por cinco pulmões; quatro corações jovens (certeiros e cheios) com muitos anos de corda para badalar, batem ao lado do meu e dão-lhe ânimo e companhia, eia! sus! avante! para mais uma jornada.”.

 

Têm aqui o link se quiserem ouvir: https://youtu.be/vadDIh5zl9Y?si=P2CppKU542QHLUC1

Deixo também a letra:

Sisotowbell Lane
Noah is fixing the pump in the rain
He brings us no shame
We always knew that he always knew
Up over the hill
Jovial neighbors come down when they will
With stories to tell
Sometimes they do
Yes sometimes we do
We have a rocking chair
Each of us rocks his share
Eating muffin buns and berries
By the steamy kitchen window
Sometimes we do
Our tongues turn blue

Sisotowbell Lane
Anywhere else now would seem very strange
The seasons are changing
Everyday in everyway
Sometimes it is spring
Sometimes it is not anything
A poet can sing
Sometimes we try
Yes we always try
We have a rocking chair
Somedays we rock and stare
At the woodlands and the grasslands
and the badlands 'cross the river
Sometimes we do
We like the view

Sisotowbell Lane
Go to the city you'll come back again
To wade thru the grain
You always do
Yes we always do
Come back to the stars
Sweet well water and pickling jars
We'll lend you the car
We always do
Yes sometimes we do
We have a rocking chair
Someone is always there
Rocking rhythms while they're waiting
with the candle in the window
Sometimes we do
We wait for you

 

Bom fim de semana para todos. E bom outono!

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Tafas, um pincel nosso

 A ler para segunda este epitáfio de um artista argentino. Aqui no original. Em baixo na tradução portuguesa.

Algumas questões:

Quem é Tafas?

• É um pintor abstracto ou figurativo?

• A sua obra é unanimemente apreciada ou polémica?

• As pessoas têm quadros favoritos?

• Todos os quadros têm idêntico preço? Mas são todos mesmo diferentes?

• Por que se perdeu um grande valor?









domingo, 17 de setembro de 2023

Comunidade – Luiz Pacheco

 

O estilo por vezes agramatical, carregado de enumerações e pontuação inusitada demonstra a preocupação de Pacheco, que concerne à criação de uma marca estilística encerrada pelo Surrealismo. O autor reflete acerca da vida e da falta dela. E para isso parte de uma cama, ou melhor, de uma jangada. Apresenta-se rodeado de presenças vividamente pulsantes, todavia, tudo o que o povoa são manifestações de uma ausência desenfreada sem nome. Questiona o intrometimento das garras da morte na existência de uma condição humana, ou de inúmeras, neste caso. A aceitação da inexorabilidade da morte é, portanto, para este, suficiente para poder ponderar acerca da preponderância que é estar e sentir-se envolto na vida familiar, apesar do medo vertiginoso que se pode ter do desenlace derradeiro desta mesma condição. É, acima de tudo, um pai e um homem encapsulado no seu exercício falível de existência. A sonolência emanada por esta cama e a mesmidade subjacente a este repouso nada têm a esconder, revelando-se num nível de intimidade e descoberta dos corpos que se deitam ao seu lado, juntamente com o seu próprio, no seu leito, mas sem realmente o descobrir, porque a mulher e as crianças desconhecem o homem que se encosta a elas, estranham as suas preocupações, desejos e convicções, independentemente das suas ingenuidades intrínsecas às tenras idades. Pacheco escreve pelo gozo de estar no seu domínio de ação contrariar o escuro que em breve se lhe afronta a passos largos. Quando a escuridão consumir o seu corpo e o envolver com os seus fragmentos da não-luz será, enfim, o mesmo momento em que se entregará igualmente à mesma. Esta ignobilidade da solidão só pode ser sentida quando contém em si a condição de se estar acompanhado – a natureza paradoxal da própria, que o permite estar rodeado e confortado pelos ternos braços da obscuridade e dos filhos e, mesmo assim, experienciar um toque, um repique ruidoso em todos os membros e órgãos e vísceras, porque contaminado pela mesma solidão. Em última análise, achei pertinente esta sugestão de leitura, dado que é um texto que supera a sua circunstância, um etéreo do mesmo, transportando consigo algo de enternecedor no repouso dos corpos, na sua solidão conjunta, na inércia inerente a uma cama partilhada.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Primeira leitura (para 2ª 18): Comunidade, de Luiz Pacheco

 Pode ler aqui


E ver a cena de abertura do filme Valerian aqui 

Programa

Este é o blogue da disciplina de opção livre de Literaturas Marginais. Não é necessário frequentar um curso de literatura, embora ajude, porque esta é uma cadeira de literatura.

Docente responsável: rz@fcsh.unl.pt

Enviem uma mensagem a fim de serem convidados para co-autores deste blogue. E coloquem sempre como assunto: Literaturas Marginais ou Lit Marg.


Avaliação: participação (30-40%), frequência (60-70%) . Apresentação em aula: facultativa. Com 9 vai a exame. Com 12 dispensa. 

Frequência: 11 dezembro

Exame: 22 janeiro

O blogue conta com os vossos contributos. Ideias soltas, reflexões, notícias, respostas a um ponto do programa. Nele espero que todos possamos partilhar textos e micro-ensaios, comentários avulsos que tenham a ver com o âmbito da cadeira. A participação influencia a nota, obviamente. 

E qual o âmbito da cadeira? Boa pergunta.


Em Literaturas Marginais são apresentados aos alunos subgéneros e textos que, por uma ou outra razão, não têm sido pacificamente aceites como fazendo parte do campo literário. Temos uma primeira divisão em dois grandes grupos: paraliteraturas impressas e paraliteraturas expressas.


O termo paraliteratura foi cunhado por Gérard Genette, e significa, à letra, algo que está próximo, ao lado da coisa literária. Parte da discussão é precisamente se o texto X ou a variante Y são/estão literatura.


O modelo seguido é o da amostra médica. Apresenta-se uma variante - digamos, uma gaveta conceptual - e em seguida um texto exemplar, quer representativo do género, quer quebrando o clichê sobre o género. Se possível o texto proposto será em português mas não necessariamente. No caso do policial propomos Um imenso adeus, de Raymond Chandler e/ou A mão esquerda do diabo, de Dennis McShade. 
Mas  podem (e fazem muito bem) ler outros textos em vez dos recomendados.

O critério para escolha dos textos pode ser o da sua importância (o caso de Solaris, de Stanislaw Lem, para a FC) mas pode também ser apenas - ou sobretudo - o de coincidir com os interesses do docente. Se no caso do humor/sátira escolho falar de José Vilhena e não de Lucrécio ou do Diabinho da Mão Furada é porque já escrevi livros sobre Vilhena.


O objectivo desta cadeira de opção é reflectir sobre um leque, não coerente, de géneros e formas que, de algum modo, não são geralmente integradas no (também discutível) cânone do que é considerado “literatura”. Fica claro que o programa não esgota o que possa ser “literatura marginal”. Cada item será acompanhado por um estudo de caso.

As aulas não têm de seguir a ordem do programa. Se vou a uma biblioteca não tenho de começar a ler pela letra A - o importante é sabermos em que ponto estamos - se no 5.6 ou no 1.4.  

O plágio é desaconselhado. Há plágio quando, por escrito, nos apropriamos das ideias ou palavras alheias sem as creditar. E como as creditamos? Por paráfrase ou citação entre aspas (ou, se tiver mais de quatro linhas, com destaque espacial), devolvendo o seu a seu dono. Eu posso publicar em livro poemas de Camões e receber eu o dinheiro (o pobre morreu há mais de 70 anos), mas não posso dizer que os poemas são meus. Moral: não creditar o autor é mais grave que ficar-lhe com o dinheiro. Todos os anos, inúmeros plágios são tão bem feitos que passam despercebidos. Parabéns aos autores da proeza. Mas um dia tudo se sabe. Não vos podendo desencorajar de plagiar, posso apenas dizer que, se descoberto, será punido. O que é pena, porque esta cadeira de opção pode ser divertida. 


Alguns textos de leitura obrigatória têm acesso pela internet. Sempre que possível, darei com tempo a ligação. O primeiro é Comunidade, de Luiz Pacheco, já para trazer lido na segunda aula (18/9) que pode ler aqui.


1. Literatura marginal 
1.1. Há um cânone literário?
1.2. Marginal – um conceito equívoco
1.3. Cultura popular e cultura de massa
1.4. O século XX: fronteira e (com)fusão
1.5. «Toda a literatura é marginal»?
1.6. «Toda a poesia é experimental», como diz Gastão Cruz?
1.7. O escritor marginal. Luiz Pacheco, Charles Bukowski.
1.8. O episódio do sino em Andre Rublev, de Tarkovski

 

2. Paraliteraturas impressas 
2.1. Literatura de cordel. Sugestão: o caso do Brasil
2.2. Literatura oral e tradicional. Camões à desgarrada.
2.3. Máquinas narrativas: o romance policial. Dennis McShade e A mão direita do diabo
2.4. Ficção científica ou ficção política? Stanislaw Lem, Solaris 
2.5. Imprensa do coração. A fotonovela de Corin Tellado
2.6. Sátira e humor. José Vilhena, Alberto Pimenta, Mário-Henrique Leiria
2.7. Banda desenhada/Literatura gráfica. Vânia, Escala em Orongo
2.8. A crónica. Lobo Antunes, Miguel Esteves Cardoso
2.9. Escritores de canções. Sérgio Godinho, Leonard Cohen
2.10. Outras

3. Paraliteraturas expressas 

3.1. Teatro/happening/performance. Caso: Felizes da Fé (ligação para filme abaixo).
3.2. Poesia visual/experimental Po.Ex (Hatherly, Melo e Castro), Fernando Aguiar
3.3. Livro objecto /Mail Art. Fernando Aguiar/José Oliveira
3.4. Cinema. Vale Abraão (Agustina e Oliveira)
3.5. Rádio/TV Dennis Potter
3.6. Internet, hipertexto, e-leitores Os Surfistas, Arquivo Pessoa
3.7. Blogues, Twits
3.8. Slam Poetry. Os Poetas do Povo. O Rap.
3.9. O Facebook. O Twitter. Os novos Haikai. 
2.10. Outras

4. Alguns t
emas no ar do tempo 

  • Arte e poder
  • Língua e poder
  • Classe e poder
  • As mulheres, essa imensa minoria
  • Que tipo de conhecimento é este? Que mapas promove? E para quê?
  • O poema ensina a cair?
  • Literatura e Zeitgeist
  • Sociedade
  • Comunicação
  • Hierarquia
  • Censura
  • Ao centro tudo! à periferia nada!

·         Etc.

 

Bibliografia ativa (amostra médica)
ARAGÃO, ANTÓNIO [1966], um buraco na boca. Funchal: ed. do A.
AGUIAR, Fernando (1981), O Dedo, Lisboa, Ed.
Do A.
BARTHES, Roland (1977), Fragments d'un Discours Amoureux, Paris, Seuil.
Ed. ut.: Fragmentos de um Discurso Amoroso, Lisboa, Ed. 70, s.d.
BAXTER, Glen (1990), The Billiard Table Murders, London, Picador
CÓRTAZAR, Julio (1967), La Vuelta al Dia en Ochenta Mundos (2 tomos), Madrid, Siglo XXI de España, 1973
MILLER, Frank (1987), The Dark Knight Returns, New York, DC Comics
MOTA, Augusto; DIAS, Nelson (1973), Wanya – Escala em Orongo, Lisboa, Gradiva 2008
PINTO, Júlio;SARAIVA Nuno (1996), Filosofia de Ponta, Lisboa, Contemporânea
RODRIGUES, Graça Almeida (1981), Vida e Obra de Frei Lucas de Santa Catarina, Lisboa, Imprensa Nacional
HATHERLY, Ana (1975), A Reinvenção da Leitura - Breve Ensaio Crítico seguido de 19 Textos Visuais, Lisboa, Futura

HERBERT, Frank [1965], Duna. Lisboa: Relógio d'Água, 2020. 
McCLOUD, Scott (1993), Understanding Comics – The Invisible Art, Northampton MA, Kitchen Sink Press
OULIPO (1973), La Littérature Potentielle, Paris, Gallimard
SPIEGELMAN, Art (1986), Maus – A Survivor's Tale, Vol. I., New York, Pantheon. Ed. ut.: Maus, Lisboa, Difel, 1988 (1991), Maus – A Survivor's Tale,Vol. II, New York, Pantheon.
Ed. ut.: Maus, Lisboa, Difel, 1995
VONNEGUT, Kurt (1973), Breakfast of Champions, London, Cape Bibliografia passiva

Bibliografia passiva

BORQUE, J.M. DIEZ (1972), Literatura y Cultura de Masas, Madrid, Al-Borak
BOURDIEU, Pierre (1992), Les Règles de l'Art – Genèse et Structure du Champ Littéraire, Paris, Seuil
CASTRO, Ernesto Melo e; HATHERLY, Ana (1981), Po.Ex – Textos Teóricos e Documentais da Poesia Experimental Portuguesa, Lisboa, Moraes
LOPES, Silvina Rodrigues (1994), A Legitimação em Literatura, Lisboa, Cosmo
-- PIMENTA, Alberto (1978), O Silêncio dos Poetas, Lisboa, Regra do Jogo
-- (1994) A Magia que tira os Pecados do Mundo, Lisboa, Cotovia
SARAIVA, Arnaldo (1974), A Crítica Literária e a Crítica Literária em Portugal, Porto, FLP
-- (1975), Literatura Marginal izada, Porto, s.e.
-- (1980) Literatura Marginal izada, Porto, Árvore
ZINK, Rui (1999), Literatura Gráfica, Lisboa, Celta
-- (2000) O Humor de Bolso de José Vilhena, Lisboa, Celta
 



Netografia

http://www.nfb.ca/film/ladies_and_gentlemen_mr_leonard_cohen
http://arquivopessoa.net/

PACHECO, Luís, Comunidade. https://pervegaleria.eu/PerveOrg/Surrealismo/montagem%20livro_demo.pdf

Luiz Pacheco (o documentário): https://www.youtube.com/watch?v=vs72TLvQa8k
Luiz Pacheco: O Cachecol do artista https://www.youtube.com/watch?v=kkaZyR2KpNE
Geração Feliz: https://www.youtube.com/watch?v=r7oL-Wfz4bI

Etc…


Sumários

Notas finais

 Meus caros, estas são as notas que têm no fim do semestre, feitasas várias contas. Aguardarei até quinta para as lançar definitivamente. Qu...