Este é o blogue da disciplina de opção livre de Literaturas Marginais. Não é necessário frequentar um curso de literatura, embora ajude, porque esta é uma cadeira de literatura.
Docente responsável: rz@fcsh.unl.pt
Enviem uma mensagem a fim de serem convidados para
co-autores deste blogue. E coloquem sempre como assunto:
Literaturas Marginais ou Lit Marg.
Avaliação: participação (30-40%), frequência (60-70%) . Apresentação em aula: facultativa. Com 9 vai a exame. Com 12
dispensa.
Frequência: 11 dezembro
Exame: 22 janeiro
O blogue conta com os vossos contributos. Ideias soltas, reflexões,
notícias, respostas a um ponto do programa. Nele espero que todos possamos
partilhar textos e micro-ensaios, comentários avulsos que tenham a ver com o
âmbito da cadeira. A participação influencia a nota,
obviamente.
E qual o âmbito da cadeira? Boa pergunta.
Em Literaturas Marginais são apresentados aos
alunos subgéneros e textos que, por uma ou outra razão, não têm sido
pacificamente aceites como fazendo parte do campo literário. Temos uma
primeira divisão em dois grandes grupos: paraliteraturas impressas e
paraliteraturas expressas.
O termo paraliteratura foi
cunhado por Gérard Genette, e significa, à letra, algo que está próximo, ao
lado da coisa literária. Parte da discussão é precisamente se o texto X ou a
variante Y são/estão literatura.
O modelo seguido é o da amostra médica. Apresenta-se uma
variante - digamos, uma gaveta conceptual - e em seguida um
texto exemplar, quer representativo do género, quer quebrando o clichê
sobre o género. Se possível o texto proposto será em português mas não
necessariamente. No caso do policial propomos Um imenso adeus, de
Raymond Chandler e/ou A mão esquerda do diabo, de Dennis
McShade. Mas
podem (e fazem muito bem) ler outros textos em vez dos recomendados.
O critério para escolha dos textos pode ser o da sua importância (o caso
de Solaris, de Stanislaw Lem, para a FC) mas pode também ser apenas
- ou sobretudo - o de coincidir com os interesses do docente. Se no caso do
humor/sátira escolho falar de José Vilhena e não de Lucrécio ou do Diabinho da
Mão Furada é porque já escrevi livros sobre Vilhena.
O objectivo desta cadeira de opção é reflectir
sobre um leque, não coerente, de géneros e formas que, de algum modo, não são
geralmente integradas no (também discutível) cânone do que é considerado
“literatura”. Fica claro que o programa não esgota o que possa ser “literatura
marginal”. Cada item será acompanhado por um estudo de caso.
As aulas não têm de seguir a ordem do
programa. Se vou a uma biblioteca não tenho de começar a ler pela letra A - o
importante é sabermos em que ponto estamos - se no 5.6 ou no 1.4.
O plágio é desaconselhado. Há
plágio quando, por escrito, nos apropriamos das ideias ou palavras alheias sem
as creditar. E como as creditamos? Por paráfrase ou citação entre
aspas (ou, se tiver mais de quatro linhas, com destaque espacial), devolvendo o
seu a seu dono. Eu posso publicar em livro poemas de Camões e receber eu o dinheiro
(o pobre morreu há mais de 70 anos), mas não posso dizer que os poemas são
meus. Moral: não creditar o autor é mais grave que ficar-lhe com o
dinheiro. Todos os anos, inúmeros plágios são tão bem feitos que
passam despercebidos. Parabéns aos autores da proeza. Mas um dia tudo se sabe.
Não vos podendo desencorajar de plagiar, posso apenas dizer que, se descoberto,
será punido. O que é pena, porque esta cadeira de opção pode ser
divertida.
Alguns textos de leitura obrigatória têm acesso pela internet. Sempre que possível, darei com tempo a ligação. O primeiro é Comunidade, de Luiz Pacheco, já para trazer lido na segunda aula (18/9) que pode ler aqui.
1. Literatura marginal
1.1. Há
um cânone literário?
1.2.
Marginal – um conceito equívoco
1.3.
Cultura popular e cultura de massa
1.4. O
século XX: fronteira e (com)fusão
1.5. «Toda
a literatura é marginal»?
1.6. «Toda
a poesia é experimental», como diz Gastão Cruz?
1.7. O
escritor marginal. Luiz Pacheco, Charles Bukowski.
1.8. O episódio do sino em Andre Rublev, de Tarkovski
2. Paraliteraturas impressas
2.1.
Literatura de cordel. Sugestão: o caso do Brasil
2.2.
Literatura oral e tradicional. Camões à desgarrada.
2.3.
Máquinas narrativas: o romance policial. Dennis McShade e A mão direita
do diabo
2.4. Ficção
científica ou ficção política? Stanislaw Lem, Solaris
2.5.
Imprensa do coração. A fotonovela de Corin Tellado
2.6. Sátira
e humor. José Vilhena, Alberto Pimenta, Mário-Henrique Leiria
2.7. Banda
desenhada/Literatura gráfica. Vânia, Escala em Orongo
2.8. A
crónica. Lobo Antunes, Miguel Esteves Cardoso
2.9.
Escritores de canções. Sérgio Godinho, Leonard Cohen
2.10.
Outras
3. Paraliteraturas expressas
3.1.
Teatro/happening/performance. Caso: Felizes da Fé (ligação para filme abaixo).
3.2. Poesia
visual/experimental Po.Ex (Hatherly, Melo e Castro), Fernando Aguiar
3.3. Livro
objecto /Mail Art. Fernando Aguiar/José Oliveira
3.4.
Cinema. Vale Abraão (Agustina e Oliveira)
3.5.
Rádio/TV Dennis Potter
3.6.
Internet, hipertexto, e-leitores Os Surfistas, Arquivo Pessoa
3.7. Blogues,
Twits
3.8. Slam
Poetry. Os Poetas do Povo. O Rap.
3.9. O
Facebook. O Twitter. Os novos Haikai.
2.10. Outras
4. Alguns temas no
ar do tempo
- Arte e poder
- Língua e poder
- Classe e poder
- As mulheres, essa imensa minoria
- Que tipo de conhecimento é este? Que mapas promove? E para quê?
- O poema ensina a cair?
- Literatura e Zeitgeist
- Sociedade
- Comunicação
- Hierarquia
- Censura
- Ao centro tudo! à periferia nada!
·
Etc.
Bibliografia ativa (amostra médica)
ARAGÃO, ANTÓNIO [1966], um
buraco na boca. Funchal: ed. do A.
AGUIAR, Fernando (1981), O
Dedo, Lisboa, Ed. Do A.
BARTHES, Roland (1977), Fragments
d'un Discours Amoureux, Paris, Seuil. Ed. ut.: Fragmentos de um Discurso Amoroso,
Lisboa, Ed. 70, s.d.
BAXTER, Glen (1990), The
Billiard Table Murders, London, Picador
CÓRTAZAR, Julio (1967), La
Vuelta al Dia en Ochenta Mundos (2 tomos), Madrid, Siglo XXI de
España, 1973
MILLER, Frank (1987), The
Dark Knight Returns, New York, DC Comics
MOTA, Augusto; DIAS, Nelson
(1973), Wanya – Escala em Orongo, Lisboa, Gradiva 2008
PINTO, Júlio;SARAIVA Nuno
(1996), Filosofia de Ponta, Lisboa, Contemporânea
RODRIGUES, Graça Almeida
(1981), Vida e Obra de Frei Lucas de Santa Catarina, Lisboa,
Imprensa Nacional
HATHERLY, Ana (1975), A
Reinvenção da Leitura - Breve Ensaio Crítico seguido de 19 Textos Visuais,
Lisboa, Futura
HERBERT, Frank [1965], Duna. Lisboa:
Relógio d'Água, 2020.
McCLOUD, Scott (1993), Understanding
Comics – The Invisible Art, Northampton MA, Kitchen Sink Press
OULIPO (1973), La
Littérature Potentielle, Paris, Gallimard
SPIEGELMAN, Art (1986), Maus
– A Survivor's Tale, Vol. I., New York, Pantheon. Ed. ut.: Maus, Lisboa,
Difel, 1988 (1991), Maus – A Survivor's Tale,Vol. II, New York,
Pantheon. Ed. ut.: Maus, Lisboa, Difel, 1995
VONNEGUT, Kurt (1973), Breakfast
of Champions, London, Cape Bibliografia passiva
Bibliografia passiva
BORQUE, J.M. DIEZ (1972), Literatura
y Cultura de Masas, Madrid, Al-Borak
BOURDIEU, Pierre (1992), Les
Règles de l'Art – Genèse et Structure du Champ Littéraire, Paris, Seuil
CASTRO, Ernesto Melo e; HATHERLY,
Ana (1981), Po.Ex – Textos Teóricos e Documentais da Poesia
Experimental Portuguesa, Lisboa, Moraes
LOPES, Silvina Rodrigues
(1994), A Legitimação em Literatura, Lisboa, Cosmo
-- PIMENTA, Alberto (1978), O
Silêncio dos Poetas, Lisboa, Regra do Jogo
-- (1994) A Magia que tira
os Pecados do Mundo, Lisboa, Cotovia
SARAIVA, Arnaldo (1974), A
Crítica Literária e a Crítica Literária em Portugal, Porto, FLP
-- (1975), Literatura
Marginal izada, Porto, s.e.
-- (1980) Literatura
Marginal izada, Porto, Árvore
ZINK, Rui (1999), Literatura
Gráfica, Lisboa, Celta
-- (2000) O Humor de Bolso
de José Vilhena, Lisboa, Celta
Netografia
http://www.nfb.ca/film/ladies_and_gentlemen_mr_leonard_cohen
http://arquivopessoa.net/
PACHECO, Luís, Comunidade. https://pervegaleria.eu/PerveOrg/Surrealismo/montagem%20livro_demo.pdf
Luiz Pacheco (o
documentário): https://www.youtube.com/watch?v=vs72TLvQa8k
Luiz Pacheco: O Cachecol do
artista https://www.youtube.com/watch?v=kkaZyR2KpNE
Geração Feliz: https://www.youtube.com/watch?v=r7oL-Wfz4bI
Etc…