segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Pierre Menard

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(...) Disse que a obra visível de Menard é facilmente enumerável. Examinando com esmero seu arquivo particular, verifiquei que se constitui dos seguintes trabalhos: 

a) Um soneto simbolista que apareceu duas vezes (com variantes) na revista La Conque (números de março e outubro de 1899). 

b) Uma monografia sobre a possibilidade de construir um vocabulário poético de conceitos que não fossem sinônimos ou perífrases dos que formam a linguagem comum, "mas objetos ideais criados por uma convenção e essencialmente destinados às necessidades poéticas" (Nimes, 19O1). 

c) Uma monografia sobre "certas conexões ou afinidades" do pensamento de Descartes, de Leibniz e de John Wilkins (Nimes, 19O3). 

d) Uma monografia sobre a Characteristica Universalis de Leibniz (Nimes, 19O4). 

e) Um artigo técnico sobre a possibilidade de enriquecer o xadrez eliminando um dos peões de torre. Menard propõe, recomenda, polemiza e acaba por rejeitar essa inovação. 

f )Uma monografia sobre a Ars Magna Generalis de Ramón Llull (Nimes, 19O6). g) Uma tradução com prólogo e notas do Livro da Invenção Liberal e Arte do Jogo de Xadrez de Ruy López de Segura (Paris,1907.) 

h) Os rascunhos de uma monografia sobre a lógica simbólica de George Boole. 

i) Um exame das leis métricas essenciais da prosa francesa, ilustrado com exemplos de Saint-Simon (Revue des Langues Romanes, Montpellier, outubro de 19O9). 

j) Uma réplica a Luc Durtain (que negara a existência de tais leis) ilustrada com exemplos de Luc Durtain (Revue des Langues Romanes, Montpellier, dezembro de 19O9). 

k) Uma tradução manuscrita da Aguja de Navegar Cultos, de Quevedo, intitulada La Boussole des Précieux. 

l) Um prefácio ao catálogo da exposição de litografias de Carolus Hourcade (Nimes, 1914). 

m) A obra Les Problèmes d’un Problème (Paris, 1917) que discute em ordem cronológica as soluções do ilustre problema de Aquiles e a tartaruga. Duas edições desse livro apareceram até agora; a segunda traz como epígrafe o conselho de Leibniz "Ne craignez point, monsieur, la tortue", e renova os capítulos dedicados a Russell e a Descartes. 

n) Uma obstinada análise dos "usos sintáticos" de Toulet (N. R. F.., março de 1921). Menard – lembro-me – declarava que censurar e louvar são operações sentimentais que nada têm a ver com a crítica. 

o) Uma transposição em alexandrinos do Cimetière marin de Paul Valéry (N. R. F., Janeiro de 1928). 

p) Uma invectiva contra Paul Valéry, nas Folhas para a supressão da realidade de Jacques Reboul. (Esta invectiva, diga-se entre parêntesis, é o reverso exato da sua verdadeira opinião sobre Valéry. Este assim o entendeu e a amizade antiga entre os dois não correu perigo.) 

q) Uma definição" da condessa de Bagnoregio, no "vitorioso volume" – a locução é de outro colaborador, Gabriele d'Annunzio – que anualmente publica esta dama para retificar os inevitáveis falseamentos do jornalismo e apresentar ao mundo e à Itália" uma autêntica imagem da sua pessoa, tão exposta (pela própria razão da sua beleza e da sua atuação) a interpretações errôneas ou apressadas. 

r) Um ciclo de admiráveis sonetos para a baronesa de Bacourt (1934). 

s) Uma lista manuscrita de versos que devem sua eficácia à pontuação.

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Notas finais

 Meus caros, estas são as notas que têm no fim do semestre, feitasas várias contas. Aguardarei até quinta para as lançar definitivamente. Qu...