Na
minha apresentação oral sobre poesia e cinema, na passada segunda-feira, coloquei
a possibilidade de o corpo do poema não ser, necessariamente, a página. Aquilo
que procurei fazer, na verdade, foi mostrar a minha “disponibilidade” (e apelar
à vossa) para uma poesia que extravasa as convenções a que o cânone nos
acostumara, exercício que, raramente, consentia fazer, antes das nossas aulas.
Se
assumirem, como eu, a premissa de navegar contra a corrente, isto é, de buscar
o desconforto, de prescindir da familiaridade e da linearidade do que conhecemos,
as “Tapeçarias”, de Regina Guimarães, são um cais possível. A artista nascida
no Porto, em 1957, também conhecida como Corbe, desafia-nos com dois textos
poéticos, duas “heresias” muito bem-vindas a quem quer pensar a literatura, concebidas
num tear, a meu ver, muito original.
Ambas as tapeçarias foram publicadas no quinto volume da revista interartes Skhema, em maio de 2023 [Tapeçarias - SKHEMA]. A obra de Regina Guimarães, produzida em comum com marido Saguenail, companheiro de arte e de vida (não serão a mesma coisa?), pode ser acompanhada em Hélastre, uma página online [helastre], que vos convido a descobrir.
Matilde Brazão


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